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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
Eles e elas
Índia: ela |
Índia: ele |
Fabi 12:13 AM
E aí?:
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
Mais fotos do Nepal!
Uma gompa e muitas montanhas |
Introdução ao Budismo |
Tá pensando que foi fácil? |
"Brazil?! Ronaldo, Cafu, Pelé..." |
Vai um dentista aí? Tô fora... |
Ter opção é tuuuudo na vida |
Se valeu a pena? Ah, valeu. |
Fabi 11:30 PM
E aí?:
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Tá bom, tá bom...
... não foi só a casa que ganhou mais uns penduricalhos... Eu também sou filha de Shiva, né?!
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Fabi 8:16 PM
E aí?:
Chama a Graneiro!
Começou a Operação Mudança de País na decoração. Sai México, entram Índia e Nepal. Já era tempo |
Fabi 8:05 PM
E aí?:
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
 Boas-vindas da família Zanni
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A vida segue
É, pois é. Voltei há uma semana. Tempo suficiente para descansar, dar um tempo nas atualizações do blog e deixar a viagem da Índia aqui para todo mundo ver. Agora chega. Para quem ainda estiver interessado em saber como foi, é só clicar no link ali ao lado. Mas na home da minha vida, está na hora de mudar de assunto. |
Fabi 9:23 PM
E aí?:
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
Fotos
Ei, comecei a colocar algumas
fotos junto aos posts! As primeiras estão lá para baixo. Nos
próximos dias coloco mais.
| Fabi 12:21
AM E aí?:
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
Ando meio desligada....
Pode ser a diferença de fuso, pode ser a saudade, pode ser
simplesmente que esteja diferente. Ontem, primeiro dia em casa, não fiz
metade do que tinha que fazer. Não tive fome na hora de comer e não tive
sono na hora de dormir. Passei o dia andando de um lado para o outro,
bebendo chá de Darjeeling, acendendo incensos de Varanasi, ouvindo dos
CDs que comprei em Khatmandu, lendo livros sobre a Índia e organizando
as fotos da viagem no computador. Era como se a minha cabeça não tivesse
vindo com o corpo no avião. Voltar é difícil.
Chai, chá com
especiarias: que saudade! | Fabi 11:08
PM E aí?:
Domingo, Fevereiro 01, 2004
Faltava ele Finalmente,
Gandhi. Senti falta dele em toda a viagem. Vi Buda, Shiva, Krishna,
Ganesh e a coleccao de deuses hindus. Vi babas, sadus, yogues
contorcionistas, homens de turbante e mulheres de sari, vacas e bichos
que encheriam um zoologico sagrado. Vi a Madre Tereza nos asilos
espalhados pelo pais. Mas nao tinha visto Gandhi. Nenhuma referencia nas
conversas, nenhuma grande marca nas cidades alem do burocratico. Fui
encontra-lo hoje em Mumbai, no museu. Nas fotos, heroi mirradinho entre
chefes de estado. Falando aa multidao. Resistindo. Nao precisou mais que
isso para preencher toda a lacuna aberta pela minha expectativa. Saih
emocionada, como saio da India. Um grande final para uma grande viagem.
Surpreendente.
Vejo voces em Sao Paulo, meninos! Embarco na
madrugada de hoje e chego no dia 3 pela manha. Valeu! Fabi 9:18
AM E aí?:
Acho que agora entendi
Entre todos os lugares que visitei, Mumbai eh onde o ocidente se
impoe mais forte na India. Aqui tem calccadas, construccoes imponentes
como nas capitais europeias, pouca buzina no transito, ruas com nomes (e
placas para informar!), lojas super luxuosas, gente bonita e bem
tratada... e uma das maiores favelas do mundo nos suburbios. Estava
acabando o meu almocco em um restaurante moderninho onde o ambiente, a
qualidade da comida e os preccos me lembraram os muitos bares dos
Jardins quando consegui, pela primeira vez, fazer um retrado mais
completo daqui. No final, eh muito parecido com o Brasil. Um pais pobre,
cheio de problemas, que tem uma elite concentrada em bolhas
egocentricas. Foi aih que consegui ver a India potencia nuclear, a India
exportadora de talentos da informatica, a India da industria
superprodutora de cinema. Nao tinha conseguido fazer isso vendo soh a
esmagadora miseria. Poxa, como eh bom viajar, neh?
Mumbai: modernidade
indiana |
Fabi 9:05
AM E aí?:
Barba, cabelo e bigode
Livre, leve e solta em Goa, fui aa praia. Quando tirei os 3 casacos
com que estava andando no norte me dei conta de que talvez, quem sabe,
daquele jeito corria o risco de ser confundida com a mulher do Yeti na
volta ao Brasil (Yeti = abominavel homem das neves). Resolvi dar um
jeito nisso e ainda satisfazer uma curiosidade que vinha cultivando
desde o comecco da viagem. Tomei coragem, entrei em uma das milhares de
barbearias que me encantavam pelo tamanho (tao pequenas!) e os vidrinhos
enfileirados nas prateleiras e perguntei: `voces tambem cortam cabelo de
mulher?` Fosse pela cara do barbeiro, teria dado meia-volta e me
mandado. Mas como aqui o sinal que se faz com a cabecca para indicar
`sim` e `nao` eh o mesmo (para o lado), resolvi interpretar da minha
forma. Sentei na cadeira e esperei. Devo ter sido a primeira mulher de
quem aquele cara cortou o cabelo, porque se nao tivesse quase implorado
para ele nao exagerar na tesoura, teria dado fim ao meu projeto de
cabelos longos em 2004. Quanto aos frasquinhos da prateleira, descobri
para que serviam no final do corte, logo depois do talco fartamente
polvilhado na minha nuca. Sao para a `tradicional` massagem de cabecca.
Primeiro, um oleo viscoso serve de lubrificante para a massagem. Depois,
um tonico tira tudo. Muito educada, recusei ir ateh o fim da
experiencia. Curiosidade tem limite. Fabi 8:55
AM E aí?:
A India em portugues Goa
eh mais ou menos como uma Parati. Construccoes incriveis (muito mais
impressionantes que Parati, claro) na cidade central e um litoral de
tirar o folego esparramado ao norte e ao sul. Fiquei hospedada na parte
historica, onde igrejas brancas despontam no ceu, cruzes salpicam os
telhados das casa, santos catolicos tomam o lugar dos deuses indus e as
pessoas -- pelo menos as mais velhas -- falam (sim!) portugues. Nos
restaurantes, frutos do mar preparados a moda lusitana. Nas ruas, nas
lojas e na gente, nomes tao familiares! Aqui tem marcelos, edgares,
santos, luizes, marias.... Tem frutas frescas, caldo de cana, palmeiras,
primaveras, praias lindas e a calma irreverente no andar e no fazer. Mas
nao dah pra esquecer que estou na India. Achei o melhor exemplo dessa
mistura na comida. Os pratos sao portugueses, com certeza. Mas um
gostinho picante, lah no fundo, vem lembrar os desavisados que uma
cultura milenar nao se deixa varrer do mapa assim por completo.... em
soh 500 anos de dominaccao.
Goa |
 | Fabi 8:36
AM E aí?:
Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
Noite no aeroporto
Depois de viajar o dia todo, cheguei ao aeroporto de Mumbai as 23h
do dia 28. Meu voo para Goa soh saia as 5h30 e nao tinha hotel na area.
Fazer o que? Dormi no sofa da sala de embarque. Jah tinha arrumado a
mochila sob os pes para evitar acordar 20kg mais `leve` no dia seguinte
quando passou pela minha cabecca que talvez jah estivesse ficando velha
para isso. Ia comeccar a refletir sobre o assunto, mas fui interrompida
por uma inglesa, cabelinho branco e botas surradas, pedindo espacco para
cochilar ateh as 6h. Abri espacco, abracei a bolsa e dormi sem ligar
para a luz, o faxineiro, o cheiro de inseticida (melhor que os
mosquitos), nem o movimento que comeccou lah pelas 4h. Antes de
apagar, soh lembro que pensei... `Ufa! O Sheraton ainda pode
esperar!` Fabi 1:18
PM E aí?:
Em Darjeeling... ...
andei de maria-fumacca na ferrovia mais alta do mundo; ... vi o sol
iluminar a ponta do Everest; ... andei por imensas plantaccoes de
cha; ... visitei um centro de refugiados do Tibet; ... vi lindas
gompas budistas emolduradas por montanhas de 7 mil metros de altitude;
... conheci uma suicca de origem arabe que deixou tudo para viver em
um mosteiro, um neozelandes setentao que resolveu rodar o mundo no mais
puro estilo backpacker, dois pilotos da British Airways que estarao em
Sao Paulo nos proximos meses e um australiando maluco que jah estah na
India ha 6 meses; ... descobri que estar longe nao eh deixar de
estar perto e estar perto nao evita estar longe. Fabi 1:12
PM E aí?:
Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
Soh pra provocar mais um
pouquinho Darjeeling eh linda! Fabi 10:34
AM E aí?:
E quando tudo parece que vai dar
errado... Nao eh que dah certo?! Ontem, quando fui resgatada
pelo casal de locais na estrada, jah estava pensando que toda a minha
vinda a Darjeeling seria inutil. Teria sido, se o tal casal nao fosse
proprietario de um hotel na cidade, nao tivesse me dado um desconto
maravilhoso para ficar hospedada lah, nao arranjasse toda a minha
programaccao do dia seguinte na base do favor e, de quebra, nao
oferecesse o carro com motorista para me levar a todos os lugares em
troca do pagamento do diesel. Tudo isso, exatamente quando o tempo --
que estava pessimo ateh o dia anterior -- melhorou. E depois, tem
gente que acha que sou muito Polyana! Fabi 10:32
AM E aí?:
Os maoistas estao chegando
A proposito, a greve que mencionei no registro abaixo nao foi a
unica referencia que tive sobre os maoistas no Nepal. Durante todo nosso
trekking, esperamos (diria que ansiosamente) pelo encontro com o
exercito dos revoltosos. Menos por motivos politicos e mais por um
detalhe que nos pareceu impressionante: para evitar confusoes e provar
que a revoluccao nao estah interessada na exploraccao dos turistas, cada
caminhante `convidado` a colaborar com a taxa fixa de 1000 rupias recebe
um recibo. Assim, evita-se a cobrancca da taxa mais de uma vez. Que
organizaccao! Fabi 10:27
AM E aí?:
Domingo, Janeiro 25, 2004
Muito alem dos ponteiros
Nesta parte do mundo, o tempo nao eh algo mensuravel em horas,
minutos e segundos. Entre o lento movimento dos ponteiros, ha fatores
quase magicos que iludem, confundem e... atrasam todos os seus planos.
Jah havia sido assim no percurso de Agra a Varanasi, quando 12h foram
magicamente transmutadas em interminaveis 24h. Ontem, quando o `meio
dia` previsto de viagem entre Khatmandu, no Nepal, e Darjeeling, na
India, se transformou em um dia e meio, aprendi muito sobre este
fenomeno. Vejam se nao eh matematico: Contagem natural do
tempo: 45 minutos de voo entre Khatmandu e o aeroporto mais
proximo da fronteira + 20 minutos de taxi entre o aeroporto e a
fronteira + 2h30 entre a fronteira e Darjeeling = pouco
menos de meio dia de viagem Contagem
magico-alquimico-transcedental do tempo: 45 minutos de voo entre
Khatmandu e o aeroporto mais proximo da fronteira + atraso na
decolagem do voo por causa do mau tempo + 2 horas em um reikshaw no
lugar do taxi por conta da greve desencadeada pelos maoistas do Nepal +
pernoite em um hotel vagabundo na fronteira depois de chegarmos tarde
demais para pegarmos a estrada para Darjeeling + 2h30 entre a
fronteira e Darjeeling + 45 minutos de espera ateh o taxi coletivo
lotar de passageiros ateh (literalmente) a borda + espera de duas horas
depois da quebra da caixa de cambio do mesmo carro + carona em carro de
moradores locais depois de suplica no meio da estrada= um dia e meio de
viagem Ainda fico boa nisso.
Fabi
12:18
PM E aí?:
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
O amor eh cego Do ponto
de vista ocidental, o Nepal eh uma India melhorada em muitos sentidos.
Mais bonito, mais limpo, mais tranquilo, menos perigoso, menos buzinas
no transito. Em Tamel, onde estamos hospedados, tem bolo de chocolate,
cheesecake de limao, papel higienico nos banheiros e -- requinte
absoluto -- sabonete liquido nas pias dos restaurantes. Alguem pode me
explicar, entao, por que eh que eu ainda prefiro a India??? Embarco
amanha para Darjeeling. Fabi 12:39
PM E aí?:
Agora, eu e eu Depois de
um mes viajando juntos, chegou a hora de cada um seguir seus desejos.
Otavio partiu hoje para o sul da India atras das praias paradisiacas e
da comida fantastica que povoavam a sua imaginaccao desde muito antes de
chegarmos. Cindy foi para Goa, onde certamente vai encontrar a
badalaccao que procura. Resolvi ficar mais um dia para ver Bharaktapur e
saio amanha para Darjeeling, num dos topos do mundo. Dani, invejado por
todos, fica em Khatmandu mais alguns dias, jah que volta mais tarde para
o Brasil. Fabi 12:34
PM E aí?:
Maquina do tempo Visitei
Bharaktapur embaixo de uma chuva insistente. Tirando as poucas
motocicletas pelas ruas e o bonecos do homem aranha na porta de uma
loja, foi como voltar cinco seculos. Ruas estreitas, chao sem asfalto,
templos trabalhadissimos, artesaos produzindo, fresquinhas, as
lembranccas para levar para casa. Deuses severos, perversos,
implacaveis, sensuais, ateh excitados. Valeu todos os comprimidos de
benegripe que vou ter que tomar nos proximos dias. Fabi 12:24
PM E aí?:
Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Ei! Ainda estamos em Khatmandu!
Muita coisa pra fazer. Acordamos cedo, fomos a Patan, uma cidade
vizinha, e tivemos um otimo dia. Mas hoje estou com preguicca, tah?
Escrevo depois. Beijo! Fabi 4:36
PM E aí?:
Terça-feira, Janeiro 20, 2004
Novos amigos Entre os
encontros e despedidas tao rapidos, fica sempre o um gostinho de quero
mais. Que bom terem entrado na minha vida... A alema Sabina, que vai
carregar para a eternidade a culpa por nos ter viciado em snickers, o
melhor chocolate do mundo depois de Twix, Kit-Kat e Tobelrone. Foi nossa
companhia na descida de mais de mil metros a pe no ultimo dia de
trekking no Nepal. O espanhol Jesus, filho de Maria e Jose, ateu,
que me ensinou -- passo a passo -- o processo burocratico necessario
para se tornar uma apostata. Suportou conosco, cheio de humor e coragem,
as longas 24 horas de viagem entre Agra e Varanasi, por onde
perambulamos em extase. O brasileiro Carlos, monge budista que
conhecemos assim que pusemos o peh no Nepal. Graccas a ele, alteramos o
primeiro dia de roteiro no pais para visitarmos Lumbini -- o lugar onde
Buda teria nascido -- e participamos, emocionados, de uma cerimonia com
quase tres mil monges. Viva la vida e as felizes
coincidencias! Fabi 2:56
PM E aí?:
Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
Shopping descontrol
Pokhara eh uma especie de Meca para viajantes interessados em
renovar o guarda-roupa de aventura sem gastar uma fortuna. Nas lojas que
se alinham aa beira do lago da cidade, eh possivel encontrar todo tipo
de equipamentos para trekking, alpinismo e neve a preccos ridiculos.
Tudo falsificado, claro. Marcas famosas estampadas em jaquetas, calccas
e adereccos made in Taiwan, Coreia e Katmandu. Qualidade... razoavel. No
dia anterior a nossa ida para o Himalaia, fizemos a festa. Compramos de
tudo. Valeu a pena, jah que nao teriamos aguentado o frio das montanhas
sem equipamentos apropriados. Mas todas as vezes em que penso na volta
para casa, me dou conta de que talvez tenha exagerado. Quero ver o que
vou fazer no verao brasileiro com tres gorros de lã de yak. Fabi 3:09
PM E aí?:
Himalaia Um curto voo
entre as montanhas mais altas do mundo e estamos no Himalaia. Cinco
dias de trekking na regiao de Annapurna nos fizeram entender porque o
inverno eh considerado baixa estaccao por aqui. O frio eh congelante! O
percurso eh sofrido, as muitas horas de caminhada montanha acima e
abaixo extenuam, nao ha luz, telefone, carro nem banho quente. Ha
estrutura para dormir, desde que se traga um saco de dormir (que parece
pesar mais a cada dia). Nada facil. Eh testar seus limites a cada passo.
Mesmo assim, vale a pena. Picos nevados, rios de agua verde esmeralda,
cachoeiras e passagens por vilas perdidas nas montanhas. Nao dah para
evitar o trocadilho infame: eh de tirar o folego. Fabi 3:02
PM E aí?:
Nepal(sa) Uma pausa na
loucura. A India que me perdoe, mas um pouco de calma eh fundamental.
Depois da viagem interminavel em uma versao light de um `chicken bus`,
chegamos ao Nepal. Fabi 2:54
PM E aí?:
No meio do caminho tinha...
tanta coisa A India pede cuidado com a agua, com a comida, com
os ladroes, com a saude... mas o cuidado mais imediato eh com os passos
na rua. Caminhar em espacco publico requer atenccao redobrada. Bosta de
vaca, camelo, elefante, macaco, gente e outros bichos nao identificados.
Consistencias, tamanhos, texturas diferentes. Acho que nunca mais vou
passear pelas calccadas de Higienopolis com o mesmo cuidado. Depois de
tanto trabalho para nao pisar (ou tropeccar) em tanta coisa, o que eh
encontrar um cocozinho de cachorro na sola do sapato,
afinal???? Fabi 2:43
PM E aí?:
Pra nao dizer que nao falei das
flores Acho que visitamos o Taj Mahal no dia mais nublado do
ano. A neblina era densa, quase cegava. Mesmo assim, foi surpreendente.
Por mais fotos que tenha visto, por mais historias que tenha ouvido,
jamais teria imaginado os detalhes. As flores, para ser mais exata.
Petalas, folhas e caules desenhados em pedras semipreciosas. Cores
vibrantes no branco absoluto. Um elogio aa beleza e uma homenagem aa
delicadeza. Que lindo.
As flores do
Taj | Fabi 2:32
PM E aí?:
Domingo, Janeiro 18, 2004
`Hello Money!` Outro
dia, criamos um jogo para passar o tempo. Chamamos de `Hello Money!`. Um
`Hello` vem imediatamente acompanhado de outra palavrinha que,
geralmente, eh um pedido ou uma oferta (em troca de dinheiro, claro). A
entonaccao eh assim, sem virgula, como se alguem estivesse chamando o
outro pelo nome. Como se ao inves de dizerem `Oi Fabiana`, falassem `Oi
Dinheiro`. A ideia era usar o maximo de palavras que jah haviamos ouvido
por aqui. Entre as muitas combinaccoes, lembramos de Hello Money!, Hello
School Pen!, Hello Euro (!)!, Hello Dollar!, Hello Shampoo!, Hello
Boat!, Hello Sweet! Hello Toilet Paper! e dezenas de outras. Todos os
dias acrescentamos mais registros a nossa coleccao. De certa forma, isso
traduz um pouco a sensaccao que nos acompanha desde que chegamos. Em
meio a tanta pobreza, eh dificil nao se sentir um saco de dinheiro
ambulante.
Fabi 12:55
PM E aí?:
River Raid Quem diria
que o Atari que ganhei da minha avo quando era criancca fosse me ajudar
a atravessar as ruas indianas! Nao fosse ter jogado muito River Raid,
talvez ainda estivesse caminhando de um lado soh da calccada por todo o
pais. Cruzar os poucos metros que separam o 'aqui' do 'lah' eh uma
aventura. De todos os lados, carros, tuctucs, ricksaws, bicicletas,
carroccas, vacas e o que mais aparecer. Tudo ao mesmo tempo, na mao
(inglesa) e contramao. No inicio, levava interminaveis minutos tentando
encontrar uma brecha ateh me aventurar. Agora, como no River Raid,
comecco a desenvolver taticas. A melhor eh se jogar, ignorar os veiculos
mais leves (eles desviam de voce!) e seguir na diagonal ateh o outro
lado. Ateh o final da viagem, tenho certeza de que facco isso de olhos
fechados. Haja capacidade de adaptaccao! Fabi 12:41
PM E aí?:
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Varanasi Sem palavras
ainda. Ou poucas. Vi o Ganges, finalmente. Vi homens e mulheres se
banhando em ritual. Vi tecidos maravilhosos, bordados, seda, expostos em
ruas imundas. Vi corpos sendo queimados em fogueiras a ceu aberto.
Seres humanos. Braccos, pernas, despontando entre as chamas. Vi vacas,
bufalos e cachorros revirando lixo ao lado das piras. Crianccas
aproveitando o ar quente das fogueiras para dar impulso aas pipas que
salpicam ceu. Nao dah para falar mais. Os proximos dias vao ser
fortes. Fabi 4:44
AM E aí?:
Oasis O barulho eh
constante, nao importa onde. Buzinas, motores, vozes e, aa noite, o
inconfundivel arrulhar das pombas nos parapeitos dos hoteis baratos. Mas
ha os parques. Oasis em meio ao caos. Quase desertos, silenciosos.
Ignorados pela populaccao local. Descobrimos um em Agra, logo apos a
nossa aventura cinematografica (vejam o relato abaixo!). Um calmo e
bonito caminho ligando o forte da cidade ao Taj Mahal. Fizemos o
percurso quase nao acreditando na repentina paz. Jah estavamos
desacostumados a caminhar sem o insistente convite dos motoristas de
tuctuc e ricksaw para uma carona a qualquer ponto em troca de poucas
rupias. Mais uma descoberta preciosa. Quantas surpresas, India! Fabi 4:33
AM E aí?:
Tarde no cinema Tivemos
que ficar um dia a mais em Agra para pegarmos o trem para Varanasi. Jah
tinhamos visto o Taj Mahal (lindo, lindo, lindo -- mais lindo que em
qualquer foto que jah tinha visto), o forte da cidade, o mercado....
fazer mais o que? Fomos ao cinema. Jah queriamos prestigiar a produccao
cinematografica local ha muito tempo e era a oportunidade perfeita. Foi
uma experiencia e tanto. Clipes estilizados, atuaccoes canastronas,
dialogos meio em hindi, meio em ingles e uma estetica absolutamente
kitsh. Saimos duas horas e meia depois, com o filme ainda em andamento.
Embora dois terccos do elenco jah tivesse morrido (e que mortes!), o
enredo ainda prometia muita emoccao. Na tela, nem um beijo. Enquanto
isso, Daniel pegava um onibus para Khajuharo, alguns quilometros ao sul,
onde um conjunto de templos hindus expoem ha quase um milenio, sem pudor
nem cerimonia, todas as posiccoes sexuais imaginaveis. Ah, a India e
seus constrastes! Fabi 4:27
AM E aí?:
Quase indiana Comprei
dois saris lindos, um verde e outro vermelho, que aprendi a usar. O
vendedor me ensinos a enrolar tudo aquilo no corpo ateh que seis metros
de tecido se transformassem em um vestido maravilhoso. Tambem fiz
tatuagem de hena, andei de tuctuc, ricksaw, camelo e elefante, dormi no
deserto e me acostumei a tanta pimenta. Jah sou quase uma indiana! Soh
preciso agora de umas cinco reencarnaccoes para desenvolver todos os
anticorpos necessarios para escovar os dentes sem precisar de agua
mineral.
Minha
tatoo | Fabi 4:17
AM E aí?:
Balde e canequinha Os
muitos rolos de papel higienico que trouxemos na viagem tem sido
extremamente uteis. Eh artigo de luxo por aqui. A populaccao local nao
entende como os turistas preferem pagar 40 rupias por um rolo quando
agua eh muito mais eficiente na limpeza intima. Embora o raciocinio
faccao todo o sentido, eh duro se adaptar. Nos banheiros, o que se
encontra eh a dupla balde e canequinha ao lado de uma torneira. Como nao
vem com instruccoes de uso, resta a nos usamos a criatividade para
imaginar como o processo funciona. Jah encontramos muitos usos
alternativos para os apetrechos. A canequinha, por exemplo, eh muito
util para resolver o problema recorrende de descargas quebradas. Jah o
balde, tem auxiliado a lavagem de roupas. Daih para partirmos para o uso
classico da dupla, ainda vamos precisar de muita coragem.
Balde
e canequinha: dupla dinâmica | Fabi 4:09
AM E aí?:
Dieta do Urso Polar
Durante semanas antes de embarcarmos para a India, eu e Cindy nos
convencemos de que, jah que iriamos passar fome na viagem, podiamos
comer qualquer coisa antes. A logica nos pareceu similar aa rotina dos
ursos, que comem exageradamente para hibernarem depois. O `problema`
ateh agora eh que nao chegamos perto do equivalente a fase de
hibernaccao. A comida eh excelente e, tomados os cuidados basicos na
escolha dos restaurantes, nada perigosa. Tambem nao sinto falta de carne
e a pimenta jah nao eh problema. Acostumamos. Eh surpreendente como uma
couve-flor pode ser saborosa! Com tantos temperos, ser vegetariana por
aqui nao eh sacrificio algum. Fabi 4:00
AM E aí?:
Gente que estranha gente
Nos os observamos, eles nos observam. Um sentimento de curiosidade
em duas maos. Eh dificil tirar fotos das pessoas sem a sensaccao de
estar invadindo o espacco alheio. Mas como segurar o dedo no disparador
da maquina diante de tanta diferencca? Relaxei um pouco hoje quando,
distraida, fui cutucada por um indiano que pedia, muito educado, que nos
colocassemos mais juntos para a foto que ELE queria tirar dos
estrangeiros. De repente, tambem me vi fazendo parte da paisagem.
Arrumei o casaco, coloquei o melhor sorriso na cara e... Xis! Lah estava
eu no pedacinho de papel que ele levou de lembrancca para casa. Fabi 3:54
AM E aí?:
Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
Pushkar Pushkar, onde
passamos o Ano Novo, eh uma cidade sagrada aa beira de um lago sagrado
com um monte de vacas sagradas pelas ruas e macacos sagrados pulando
pelos templos. Nas pequenas vielas, o assedio eh grande. Gente querendo
vender de tudo. Mulheres nao podem andar com braccos e pernas
descobertos. Nao se come ovo nem se bebe nada alcoolico. Mas
praticamente todos os restaurantes oferecem no menu lassis (bebida local
aa base de iogurte) na versao `special`, o que significa enriquecidos
com bang, uma especie de maconha `sagrada` para os bramanes. Agora
comecco a entender por que tanta gente tem esperiencias misticas por
aqui. Fabi 5:23
AM E aí?:
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
Medo A India eh um pais
sem medo. Sem medo de doencca, de acidente na estrada, de tombo de
arvore, de fome, de ladrao, de sujeira. Sem medo da morte. Chega quase a
uma displicencia com a vida. Dificil de entender para os nossos olhos. E
eu, tanto para aprender, tao pouco tempo! Fabi
1:56
PM E aí?:
Os ratos e o sagrado
Bikaner, Rajastao. Um templo erguido para adoraccao de mais um
animal sagrado. O rato. Dentro, ratos. Milhares. E a obrigaccao de tirar
os sapatos. O periodo que abrange a chegada ao lugar, a decisao de
entrar e enfrentar o desafio e a visita em si eh sublime. Provoca todos
os seus instintos e medos. Sem saber bem como, me vi tirando os sapatos
para entrar em um lugar infestado de o que achava mais nojento. Por
curiosidade. Corri o risco de ser mordida ou ter meus pes atropelados
sem pensar nas consequencias. Por curiosidade. Ateh agora, nao entendia
bem o que fazia os indus adorarem animais. Se eh que na India todo mundo
passa por um periodo de iluminaccao, acho que aih comecei o meu.
Afinal, o que faz da minha curiosidade algo melhor, mais justificado
ou civilizado do que a feh dessa gente se, no meio da tarde, estavamos
todos lah, descalccos, venerando um punhado de ratos? Eles, rezando. Eu,
tirando dezenas de fotos.
Ratos
sagrados: Agh! |
A Cindy tirou esta.
Olha a tranquilidade do cara ao lado do
rato! | Fabi 1:35
PM E aí?:
O cheiro Temperos,
urina, pao, suor... o cheiro eh forte nas ruas e nas casas. Eh dificil
nao notar os banheiros publicos, latrinas a ceu aberto nas calccadas
onde os homens aliviam as bexigas. Fabi 1:13
PM E aí?:
Monet no deserto Olhando
assim de repente, ateh parece uma pintura. Os saris coloridos das
mulheres sao pinceladas de cor no deserto. Cores fortes, contrastantes
com a terra e o clima. Gotinhas de alegria no meio do nada. Fabi 1:06
PM E aí?:
Sábado, Janeiro 03, 2004
A estrada II A medida em
que avanccaomos para o oeste, a vegetaccao vai rareando e o ar fica mais
seco. Mas a vida continua exuberante. Intensa em todas as cidades. O
comercio de rua eh impressionante. Vende-se de tudo, troca-se de tudo
nas pequenas barracas ao londo das ruas. Aa noite, a iluminaccao
amarelada dah um ar romantico aas cores ainda fortes dos temperos,
saris, pulseiras, panos estendidos para atrair os clientes. Fabi 11:02
AM E aí?:
A morte, a limpeza, o tempo, o
proximo Quando eh que vou conseguir entender a relaccao com tudo
isso por aqui???? Fabi 10:57
AM E aí?:
A estrada Segundo dia no
carro. Comeccamos a entrar no Rajastao. A viagem tem sido muito mais
confortavel do que imaginavamos. O carro tem ajudado muito. Impossivel
nao pensar no trabalho que estariamos tendo sem ele. As estradas sao
boas, mas dirigir eh uma aventura. Ultrapassagens suicidas, bichos na
rua (e que bichos!), gente sem pressa e sem medo. Fabi 10:55
AM E aí?:
Semelhanccas Aqui e ali,
as semelhanccas aparecem. Nas cores, na preocupaccao com os detalhes, no
menino vendendo pe-de-moleque no transito (!) Fabi 10:50
AM E aí?:
`Please, horn` A lei da
buzina impera no transito. Nos carros, nos caminhoes, eh comum ver o
pedido `Please, horn` escrito na traseira. Na primeira vez em que vimos,
achamos que era piada.
Buzine! | Fabi 10:49
AM E aí?:
A India e os sentidos O
camelo puxando a carrocca, os costureiros no meio da rua, o barbeiro no
meio do nada, os homens urinando na calccada, os rostos das crianccas,
que aprenderam tao cedo a trocar sorrisos por rupias.... Nao dah para
descrever, nao dah para fotografar tudo o que acontece. Tao frustrante.
Hoje, me peguei suplicando `Por favor, nao esquecca! Por favor, nao
esquecca!`. Esperancca boba de fazer com que todas as imagens, todos os
cheiros, todas as sensaccoes caibam no minusculo espacco de uma cabecca.
Afliccao previa de quem sabe que nao vai ser capaz de guardar tudo em
si.
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| O camelo, o costureiro, o barbeiro e as
crianças | Fabi 10:32
AM E aí?:
Delhi Quando cheguei, a
unica coisa em que pensava era sair. Quando saih, dois dias depois, soh
conseguia pensar em ficar mais. A desordem fascina, hipnotiza. Em pouco
tempo, nao eh que jah dah para ver ordem no caos?!
 Delhi pela janela do
hotel... |
 ... e na
rua | Fabi 10:28
AM E aí?:
Quinta-feira, Janeiro 01, 2004
Noticias intermitentes da
India
Eu e os meninos no
nosso primeiro tuctuc |
Delhi
Depois de 37 horas de viagem, chegamos! Delhi eh suja, barulhenta e
terrivelmente desorganizada. Dificil imaginar como se vive em um caos
como este. Mesmo assim, estou adorando. Encontramos o Daniel em um
hotelzinho horroroso no centro da cidade e mudamos de lah na mesma hora
porque achamos que mereciamos alguma coisa melhor depois de tanto
sofrimento para chegar aqui. Foi a melhor coisa a fazer. Eh mais caro
que a media (uns 20 reais por dia), mas tem uma agencia de viagens super
eficiente que facilitou a nossa vida no primeiro dia. Foi muito legal
ver as atraccoes da cidade com um carro a nossa disposiccao. Contratamos
este mesmo carro (com motorista) para nos levar as cidades que
visitaremos nos proximos 10 dias. Eh claro que pesquisamos antes de
tomarmos esta decisao, e uma visitinha aa estaccao ferroviaria daqui foi
decisiva para nos convencer de que um pouco de estrutura por esses lados
nao eh luxo algum. Viajar com os meninos e a Cindy estah sendo super
divertido ateh agora e, certamente, eh um apoio e tanto. Juro, nunca vi
nada igual a este lugar. Acho que ainda vou levar alguns dias para me
acostumar e entender tudo o que tem passado pelos meus olhos. A miseria
eh esmagadora, a quantidade de gente, atordoante. Ha uma logica que foge
a tudo o que chamamos de racional. Mesmo assim, essa mistura eh
extremamente fascinante. O Natal passou como uma noite qualquer. Nao
fossem alguns enfeites timidos aqui e ali, ninguem lembraria da data.
Jantamos bem e fomos dormir antes das 10h de tao cansados. No dia
seguinte, muita gente na rua e a vida correndo como em qualquer outra
data.
Ah! Soh pelo aeroporto de Johannesburg, dah muita vontade
de conhecer melhor a Africa. Tem tudo para ser a proxima viagem. Tah, eu
sei que esta nao eh bem uma notiia da India.... So falei porque, durante
as 37 horas de viagem, passamos por lah. Fabi 4:03
AM E aí?:
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